Muito além da visita: Casa Favela promove experiência de pertencimento e consciência ambiental em atividade conjunta com a ONU Brasil e o Parque Nacional da Tijuca
- Clara Bagrichevsky Autran
- há 2 horas
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Em celebração ao Dia Internacional das Florestas e ao Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, o Instituto Casa Favela, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU Brasil) e o Parque Nacional da Tijuca, realizou uma atividade pedagógica que reuniu crianças e adolescentes da comunidade Mata Machado em uma jornada de aprendizado, conexão e pertencimento.
Mais do que uma visita, a iniciativa propôs uma vivência que integrou educação ambiental, direitos humanos e protagonismo juvenil. O dia começou com a contação da história da Floresta da Tijuca, trazendo à luz quem, por tanto tempo, foi apagado dessa narrativa: pessoas escravizadas que plantaram mais de 100 mil mudas e ajudaram a reconstruir o território.

Ao longo do dia os participantes percorreram uma trilha sensorial de olhos vendados, reforçando, na prática, a relação entre cuidado ambiental e responsabilidade coletiva. Além de realizarem uma atividade de plantio de mudas juntamente aos voluntários do parque, visando aumentar o contato com a natureza. Os jovens também participaram de uma caça ao tesouro com base nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) instituídos pela ONU para cumprimento da Agenda 2030 no Brasil.
Para além do conteúdo, a experiência foi marcada por algo ainda mais profundo: o reconhecimento do território como um espaço também pertencente a essas crianças.
“Ver as crianças ocupando esse espaço é também uma forma de dizer a elas: olha, isso aqui também é de vocês. Vocês também podem e devem estar aqui — explorando, se divertindo, questionando”, afirma Beatriz Demarco, psicóloga da Casa Favela.
Esse sentimento se traduz em momentos simples, mas potentes. Durante a atividade, uma criança correu em direção à equipe e disse: “tia, é muito bom ser criança! Olha como eu tô!”. Para Beatriz, esse instante resume o propósito da ação: garantir o direito de ser criança em sua plenitude.
A parceria com a ONUtambém reforçou o caráter educativo da atividade. Por meio de uma gincana sobre os ODS, crianças e adolescentes foram incentivados a compreender, de forma lúdica, temas globais e seus impactos no cotidiano.
“Ter participado desse dia promovendo essa gincana sobre os ODS foi muito significativo. A proposta não podia ser mais oportuna: aproximar os ODS da geração de crianças e adolescentes de forma lúdica”, destaca Luís Henrique Lopes Pires, assistente de Comunicação e Projetos do Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).

Segundo ele, a atividade também cumpre um papel essencial ao aproximar instituições internacionais da realidade dos territórios:“É fundamental realizar ações como essas para aproximar a ONU dos reais ‘povos das Nações Unidas’, ou seja, todos nós”, completa.
A experiência no parque também permitiu que os jovens conectassem, na prática, conteúdos trabalhados em sala de aula com o ambiente ao seu redor, fortalecendo a consciência ambiental e o vínculo com a natureza.
“Visitar o Parque Nacional da Tijuca foi fundamental para que as crianças e adolescentes se sentissem pertencentes a esse espaço, aprendessem na prática o que desenvolvemos em nossas aulas e se compreendessem como parte da natureza”, explica Washington Yuri, professor de educação ambiental do Casa Favela.
Ao final da atividade, os participantes não apenas conheceram a história e a importância da Floresta da Tijuca para a cidade do Rio de Janeiro, mas também deixaram sua própria marca, por meio do plantio de mudas e da construção coletiva de reflexões sobre o futuro.
Mais do que uma ação pontual, a iniciativa reforça o compromisso do Casa Favela com a formação de jovens conscientes, críticos e protagonistas de suas próprias histórias.

